Leite longa vida foi o principal responsável pelo crescimento. Enquanto o setor de laticínios registra resultados ruins em decorrência da alta dos custos de fabricação e das importações, a Embaré Indústrias Alimentícias S/A, com fábrica em Lagoa da Prata (região Centro-Oeste do Estado), comemora um aumento de 36% na produção entre janeiro e maio deste ano, frente o mesmo período de 2011. E, contrariando os números do segmento, o principal responsável pela alta foi o leite longa vida, que entrou no mix da empresa no segundo semestre do ano passado. A aposta agora é em uma melhor organização da rede de distribuição, com aquisição de veículos próprios. Para isso, serão investidos R$ 7 milhões até dezembro, que vão se somar aos R$ 9 milhões gastos no exercício passado com o mesmo objetivo.

Segundo o diretor-presidente da empresa, Hamilton Antunes, a expectativa para 2012 é de aumento de cerca de 19% no faturamento em relação a 2011. Com isso, a receita passará dos R$ 630 milhões alcançados no ano passado para possíveis R$ 750 milhões em 2012. Entre janeiro e maio, a empresa chegou aos R$ 306 milhões. O crescimento das vendas e do faturamento está associado ao aumento da demanda e da base de produtos. Em 2011, a Embaré investiu R$ 26 milhões para entrar no mercado de leite longa vida. Com isso, alcançou uma capacidade produtiva de 7 milhões de litros por mês apenas do leite UHT. Desse total, 4 milhões de litros mensais já estão sendo comercializados.

Mas ainda há possibilidade de ampliar a produção para cerca de 15 milhões de litros. “E a mudança necessária para esse aumento é muito simples. Basta uma única peça em nossas máquinas e ela já se torna real”, afirma. Ao longo dos anos, os gastos na ampliação da planta da fábrica foram de aproximadamente R$ 65 milhões. Já o aumento na base de clientes foi alcançado, também, graças a um maior investimento na distribuição, que até então era terceirizada em quase sua totalidade. No ano passado, foram adquiridos pela empresa 41 veículos leves e pesados para levar os produtos da Embaré para diferentes regiões do Estado. A compra gerou um custo de cerca de R$ 9 milhões. Neste ano, outros veículos serão comprados, com um montante de recursos orçado em R$ 7 milhões. O objetivo do aporte em distribuição é o de melhorar os números em Minas Gerais, que não é o principal mercado da indústria, mesmo estando ela instalada no Estado. Atualmente, o maior volume de vendas da Embaré é para o Nordeste, com destaque para Pernambuco. Antunes explica que isso ocorre porque o consumo de leite em pó, principal item produzido pela companhia, é maior entre os nordestinos. Isso ocorre porque eles possuem um rebanho menor do que os mineiros. Por outro lado, como Minas Gerais é um Estado com forte vocação leiteira, são poucos os consumidores do produto em pó.

O diretor-presidente ainda não sabe quantificar de quanto será a redução dos custos com a utilização de frota própria nas entregas, mas já consegue prever alguns ganhos. “O maior custo é o da não entrega de produtos. Porque se nossa linha não chega em uma região, o consumidor não para de comprar, simplesmente substitui por um de outra marca. Então esse é um problema que nós estamos eliminando”, afirma. Além de leites longa vida e em pó, a Embaré produz creme de leite, leite condensado, doce de leite e manteiga, além de caramelos em tabletes com diversos recheios. O crescimento da Embaré, por meio de laticínios, é atípico. “De um modo geral, o fim do ano passado e o primeiro semestre deste não foram dignos de comemoração para a indústria de laticínios”, afirma o diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Moreira. Os principais motivos para a reclamação são a alta dos custos de produção, em decorrência do aumento do leite, e o aumento das importações. Em todo o país, foram importadas de janeiro a maio deste ano, 99,1 mil toneladas de lácteos, totalizando US$ 381,4 milhões. Em 2011, havia sido 80,3 mil toneladas, gerando uma remessa de US$ 300,6 milhões. O consumo médio de lácteos também tem aumentado. Em 2010, a média per capita era de 161 litros de produtos lácteos ao ano. Em 2011, passou a ser 165 litros.

Fonte: Diário do Comércio